sábado, 6 de maio de 2017

Homem parado a grande velocidade

Num dos quatro ecrãs da instalação vídeo que Jonathan Saldanha criou para o espaço central da Culturgest Porto, há um personagem solitário que segura um ramo de árvore em cada mão. O personagem agita furiosamente os ramos. As mãos que sacodem os ramos estão ocultas na sombra. O corpo permanece, tanto quanto possível, imóvel. Folhas e galhos batem-lhe nos cabelos. Os cabelos levantam em rebuliço como se fossem batidos por um vento terrível. Os olhos fixam-se num ponto longínquo, atrás da câmara. A expressão do personagem é de angústia, uma angústia absoluta. A luz é de um vermelho febril e sanguíneo. Tudo estremece num alvoroço completo. Está tudo em movimento. O homem parece deslocar-se a uma velocidade vertiginosa. Mas o homem está parado, preso no interior de qualquer coisa que não se vê, mas que adivinhamos, sem saber explicar. Tal como não sabemos explicar as coisas que verdadeiramente nos desassossegam e nos fazem correr de desespero sem sairmos do lugar.


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