terça-feira, 15 de maio de 2018

A fair field full of folk

Breves notas sobre a poesia de Manuel Resende VII


Um grito indomado cerca a terra toda; é a revolta dos escravos.
(Um Dia de Vida.)

Quantas vezes na poesia de hoje lemos a palavra «escravos»? Quantas vezes a palavra «oprimidos»? E «povo»? A despeito dos seus possantes pulmões e grossos punhos, o grande espectro já não paira sobre a Europa e o mundo, esfumou-se, e o ar ficou ainda mais irrespirável. Dele restam milhões de sementes de angústia, plantadas no texto, como intermináveis reticências. Sementes significativas, mas é tudo, e esse tudo não é suficiente.

Juro que acreditei e acredito
Na força imensa das massas populares.
Eu sou dessa massa - e que doutra massa seria?
Só no mundo, mesmo que esteja só no mundo,
Outra coisa não posso dizer, nem outra língua falar.
O homem é uma coisa
Que há-de ter de ser.

(Escrever nas Costas.)

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