quinta-feira, 10 de maio de 2018

Queda

Breves notas sobre a poesia de Manuel Resende II

Estavam nus e
despiram-se.
(Love Store)

Cada poema é uma branda, lenta e trágica queda para dentro. Um mergulho que começa em pleno mundo e avança pelo interior da pele. Porque não há nada que nos faça mergulhar mais profundamente na nossa solidão, senão participar do mundo e de todas as suas coisas, alegrias e dramas. Por isso, um verso branco conduz a um verso mais escuro. Uma coisa viva contém já a sua promessa de morte. Um restolhar de asas é uma espécie de pequena catástrofe.

Desce Desce Desce para que te chegue ao fundo
rebenta-me os pulmões
os olhos as veias
Ser tudo tão obscuro e solar
(Crítica da Razão Pragmática.)

Sem comentários:

Arquivo