sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A mão e a luva

LADY MACBETH
What, will these hands ne'er be clean? — No more o'
that, my lord, no more o' that: you mar all with
this starting.
(...)
Here's the smell of the blood still: all the
perfumes of Arabia will not sweeten this little
hand. Oh, oh, oh!
(Macbeth, acto 5, cena 1.)

Shakespeare antes de ser Shakespeare fazia luvas. Era luveiro, como o pai. Que secretos fios ligam o luveiro e o dramaturgo? Quantos dos seus personagens não têm as mãos manchadas de uma qualquer espécie de sangue, real ou simbólico, que é preciso revelar ou encobrir? Quantas não calçam ou descalçam luvas para ocultar ou mostrar amor, ódio, afecto, raiva, angústia, amizade, desespero, culpa ou inocência? Quantas não calçam ou descalçam as mãos para dar ou tirar a vida? Quantas das suas palavras não são luvas que mostram ou escondem um imenso e inesgotável mapa do tesouro?

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