Que espécie de linguagem é a linguagem de Strauch? O que hei-de fazer com as suas lascas de pensamento? O que a princípio me parecia desarticulado, desconexo, possui os seus «nexos realmente espantosos»; no seu todo, é uma aterradora transfusão de palavras para o mundo, para as pessoas, «um processo impiedoso movido contra a estupidez», para o dizer com as suas palavras, «uma ininterrupta cadência de fundo que merece regenerar-se». Como anotar? Que tipo de notas? Até que ponto algo de esquemático, de maneira sistemática? Estas irrupções abatem-se sobre mim como derrocadas de pedras. De repente, o que ele está a dizer começa outra vez a partir-se face ao grito explosivo do ridículo que engendra para si próprio «e para o mundo». A linguagem de Strauch é uma linguagem do músculo do coração, que «palpita contra as pulsações do cérebro», malévola. É uma auto-humilhação rítmica cativa da «viga crepitante do seu próprio ouvido interno». As suas ideias, os seus ardis, estão basicamente de ac...
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral