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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta patrões
Uma imagem para o Presidente da CIP. Vi nascer todos esses jogos no Japão. Reencontrei-os depois no mundo inteiro, com uma pequena variante: ao princípio é um jogo conhecido, uma espécie de bateria anti-ecológica onde se trata de malhar, mal ponham a cabeça de fora, em criaturas que ainda não determinei se são ratões-d’água ou bebés-foca. Eis agora a variante japonesa: em vez dos bichos, umas cabeças vagamente humanas identificadas por uma etiqueta. No topo, o Presidente-director-geral. À sua frente, o Vice-presidente e os directores. Na primeira fila, os chefes de secção e o chefe do pessoal. O tipo que filmei, e que desancava na hierarquia com uma energia invejável, confidenciou-me que para ele o jogo não era nada alegórico, era mesmo nos seus superiores que estava a pensar. É por isso, sem dúvida, que a marioneta do chefe do pessoal foi tantas vezes e tão fortemente martelada que está fora de serviço, e teve de ser substituída de novo por um bebé-foca. Sem Sol, Chris Mar...

Mise-en-scène

Os tacões são importantes, mas o que conta mesmo para ganhar uma discussão com o patronato em que nos tentam encostar à parede com ardis sonsos, é ter lido Michael Kohlhaas, Antígona, e outros livros do género combativo; ter aprendido com Straub e Huillet uma entoação de voz vigorosa e movimentos do corpo leves e decididos. E já agora, também devo a Cioran a escolha das palavras mais destemidas e violentas. No fundo, são eles o meu sindicato.

A ordem do dia

Quem supõe paradoxal que um pensamento com tintas fascistas se combine com o suporte empresarial e midiático, que se refastela hoje com as reformas liberais, é o caso de lembrar o entusiasmado apoio que Hitler recebeu das empresas alemãs – sem o qual, certamente, não teria chegado tão longe no domínio territorial da Europa e na produção industrial do genocídio. Em A ordem do dia (Tusquets), Éric Vuillard descreve a reunião que firmou as bases deste acordo, em 1933. O que disse, Hitler, que convenceu os capitães da indústria? “Era preciso acabar com um regime fraco, afastar a ameaça comunista, suprimir os sindicatos e permitir que cada patrão fosse um Führer em sua empresa”. Marcelo Semer.