O número 14 do jornal Coreia traz um texto formidável de Carlo Canún sobre o Cine Savoy. Uma sala de cinema na Cidade do México que exibe filmes porno gay e que é, ao mesmo tempo, lugar de encontro para relacionamentos sexuais entre homens. Canún compara a configuração do Cine Savoy com a página de um livro: «As poltronas funcionam como o corpo do texto, disposto em duas colunas. As pessoas a foder, à maneira de uma orgia, no espaço por baixo do ecrã e em frente às poltronas, funcionam como notas de rodapé. Podem ser ignoradas, mas quando não o são trazem informação relevante. Por fim, as margens. Esses espaços a que normalmente não se dá importância, mas onde acontece o que é mais interessante.» Savoy é também o nome do hotel do grande romance de Joseph Roth. Gosto de imaginar que não é um acaso. O livro de Roth começa assim: «O Hotel Savoy promete aos seus hóspedes água, sabão, casa de banho inglesa, elevador, criada de quarto com touca branca e ainda surpresas em caixinhas forrada...
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral