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O Fogo do Vento é um magnífico exercício de liberdade. Em vez de seguir uma história sequencial, o filme de Marta Mateus avança segundo regras mais antigas, que sacodem o tempo como o vento. Durante a projecção, os quadros desdobram-se em mil caminhos diferentes: somos convocados a participar nessa montagem afectiva. Ninguém vê o mesmo, mas todos reencontramos algo de fundamental e eterno. 

O que mais me impressiona é a forma como as pessoas se deitam nas árvores. É certo que sobem para lá para escapar ao touro (magnífico signo de todas as coisas que oprimem, até do próprio cinema), mas depois aconchegam-se aos troncos e ramos, e o medo transforma-se em conquista. Cantam, dormitam, contam histórias passadas e pensam. (O rosto de alguém a pensar é das imagens mais belas que há, e o cinema tem o dever de o guardar.) Naquelas árvores alentejanas, nasce uma comunidade aérea ancorada em memórias longínquas e futuras – um território novo cheio de visões. Só o touro está sozinho e derrotado.

Comentários

Luis Eme disse…
Apeteceu-me ir, já, ver essa "fruta" nas árvores...

(Deve estar num "pomar" raro...)
c disse…
Sim, não percas; «Fogo do Vento» também é uma aula de história. Mas não é fácil encontrá-lo. Os cinemas NOS já o retiraram das salas. Continua aqui:
LISBOA: Cinema Ideal, UCI Corte Inglés e Cinema City Alvalade
COIMBRA: Casa do Cinema de Coimbra
PORTO: Cinema Trindade

(A exibição dos filmes é uma luta: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1769802754076451&set=a.405501250506615&locale=pt_PT)