Os «meninos de merda» não falam de modo nenhum de problemas sociais e políticos: aliás, as suas caras exprimem, a esse propósito, uma aversão invencível. Até fecham os olhos, fazendo com a boca uma careta dolorosa: como quem dorme com dores de barriga. Não querem ouvir, não querem falar. E estes são os melhores. Os outros, que são mais, nem sequer sabem que existe o problema de se recusar a falar de problemas políticos, ou inclusivamente de saber alguma coisa deles. Bem diferente é o que enche de interesse as suas caras abaladas por uma exaltação nervosa, ou por descargas de «expressões não-verbais», como gargalhadas ou peidos. Pier Paolo Pasolini, Petróleo . Tradução de José Colaço Barreiros/Hugo Miguel Santos.
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral