sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os pés de Elena Ferrante

Quebro muitas vezes a regra de só falar daquilo que sei pelo menos alguma coisa. Seguir uma intuição é menos do que seguir o rasto de um avião, mas não me sai da cabeça uma ideia sobre a escrita de Elena Ferrante. Nem sequer é bem uma ideia, não passa de uma hipótese ou até um desejo pateta. Acabei "A amiga genial" e estou à espera que me emprestem os outros livros. Entretanto comprei "Crónicas do mal de amor" e foi quando comecei a ler o primeiro romance que isto começou a insinuar-se. Entre esses romances (1992) e a tetralogia (2011) há uma mudança — não diria de estilo mas de mão. É como se Elena Ferrante tivesse começado a escrever com a mão de Lilla (prodigiosa) e depois mudasse para a mão de Lenu (geométrica). Para criar um pouco de inquietação, agora gostava que Ferrante começasse a escrever com os pés. Isto continua a ser um elogio, claro.

Cristina Fernandes

2 comentários:

Luis Eme disse...

Mas é um elogio do "arco da velha", Cristina. :)

c disse...

Não se trata da expressão, é um conceito que inventei ou torci e não o expliquei. Escrever com os pés é difícil, não é para toda a gente. :)

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