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Simples

Faltam cinco dias para as eleições. O curandeiro continua empenhado em limpar tudo. Cidades, aldeias, bairros, ruas. O país inteiro. O curandeiro quer limpar as doenças da sociedade e as maleitas das pessoas. Varrer constipações, gripes, obstipações, unhas encravadas, impotência, queda de cabelo e dentes cariados. Arrancar braços e pernas inúteis. A fruta podre e as ervas daninhas. Não vale a pena fazer perguntas. O curandeiro só tem respostas. É simples.

Limpeza

A insistência na limpeza. Eles querem «limpar», limpar tudo. Não é de agora, claro. Lady Macbeth continua a lavar as mãos. Lava as mãos, agora e sempre, pelos séculos fora. O sangue não sai. O oficial sádico das SS, no Porteiro da Noite , limpa o tampo das mesas, em pleno campo de extermínio, uma e outra vez. A sujidade não desaparece. Nascemos entre merda e mijo. Morremos da mesma maneira. Limpar o quê? A humanidade?