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A mostrar mensagens de Novembro, 2016

ªSede abre dia 3 de Dezembro

Dia 3 de Dezembro, às 17h00, abre ªSede. Um espaço na Rua de Santa Catarina, 787, no Porto, onde se pretende propor um conjunto de actividades artísticas e culturais, programadas por mim, com a cumplicidade inteligente da Carolina Lapa e do Luís Nobre (os dois Lina&Nando), também responsáveis pela imagem e comunicação.

Para assinalar a abertura de ªSede, propusemos ao José Cardoso a montagem de uma exposição com vários dos seus notáveis trabalhos fotográficos, a que demos o título de “Artes Plásticas”. A inauguração, que inclui vários inéditos, é às 17h00 e a entrada é livre.

Ainda em Dezembro, haverá uma jornada de Douda Correria, no dia 10, com a apresentação de “Lançamento”, o mais recente livro de Margarida Vale de Gato, que viaja até ao Porto na companhia de Nuno Moura, autor de "Clube dos Haxixins", e João Paulo Esteves da Silva, autor de "Tâmaras".

Por fim, no dia 17, recebemos D. Duarte, o senhor da Livraria Snob, para um venda de Natal, que inclui cen…

Por assim dizer

ACTRIZ: Aonde vais?
POETA: Vou dar umas voltas em frente da janela. Gosto muito de passear ao relento. É quando me vêm as melhores ideias. E especialmente junto a ti, envolvido - por assim dizer - no meu desejo de ti... embebido na tua arte.
ACTRIZ: Pareces um atrasado mental a falar.
POETA (magoado): Há mulheres que diriam... que pareço um poeta.

Arthur Schnitzler, A Ronda. Tradução de Manuel Resende.

Trigorine

Por onde começar? (Após reflectir.) Existem daquelas ideias que nos absorvem, dia e noite não se pensa noutra coisa, na lua, por exemplo, e eu também tenho a minha lua. Dia e noite sou possuído por uma ideia: preciso de escrever, preciso de escrever, é indispensável... Mal termino um conto, tenho, não sei porquê, mas tenho de escrever outro, depois um terceiro, um quarto... Escrevo sem parar, como se temesse falhar a correspondência, e não posso esquivar-me a isso. Que encerra isto de maravilhoso e luminoso, não mo dizeis? Que vida absurda! Estou aqui convosco, estou enervado e excitado e, no entanto, não esqueço por um segundo o conto que ainda não acabei. Vejo passar aquela nuvem que se parece com um piano de cauda. E penso: em qualquer parte do meu conto tenho de mencionar esta nuvem que se parece com um piano de cauda. Aquilo cheira a heliotrópio. Apresso-me a tirar daí as minhas conclusões: perfume suave, cor de viuvez, motivo para descrever uma noite de Verão. Estou atento a cad…

Um engraçadinho, um mistificador, um farsante

Eu não acredito que o Sr. Ionesco seja um génio ou um poeta; eu não acredito que o Sr. Ionesco seja um autor importante; eu não acredito que o Sr. Ionesco seja um homem de teatro; eu não acredito que o Sr. Ionesco seja um pensador ou um alienado; eu não acredito que o Sr. Ionesco tenha qualquer coisa a dizer. Eu acredito que o Sr. Ionesco é um engraçadinho (não quero acreditar no contrário, seria muito triste), um mistificador, logo, um farsante.

Jean-Jacques Gautier, Figaro, Outubro de 1955.

***

Há uma querela Ionesco. Para J.-J. Gautier, esse dramaturgo é um engraçadinho, um mistificador, um farsante. Kemp, menos veemente, suspira: Uma reles curiosidade do teatro de hoje. Anouilh, pelo contrário, vê nele um dos mais válidos representantes do "jovem teatro francês". Touchard, entusiasmado, escreve: Ionesco eleva-se a uma altura a que os nossos olhos já não estavam habituados.

Marcel Thiébaut, Abril de 1959.

Sábado, 5 de Novembro, pelas 17h00, no Gato Vadio.

Próximo sábado, 5 de Novembro.

Imagem de Lina&Nando.