Conheci Paulino Viota em 2024, nos Encontros de Cinema do Fundão. Na verdade, conheci dois Paulinos Viota: o realizador de Contactos (1970) – um filme arrojado e importantíssimo – que viu a sua promissora carreira cortada por um sistema de produção mercantilista e cego; e o professor-mestre que ensina não só a ver e analisar a matéria dos filmes, mas também a amar o cinema com um furor entusiasmado e alegre. Percebi logo que tinha de prolongar esta descoberta formidável: num ímpeto, decidi traduzir um dos seus livros. Falámos antes do seu regresso a Santander, na Livraria Livros Tintos (ah, tudo se conjugava!); e ele não só aceitou a minha proposta, como se propôs escrever um texto inédito para a edição portuguesa. O caminho dialéctico estava traçado. Uma intuição certeira levou-me a um amor partilhado: John Ford. A leitura de Simetrías. Los 5 Actos en las Películas de John Ford foi uma espécie de epifania – era como se estivesse a ouvir Paulino numa das suas aulas, sentia a me...
Bicho ruim
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral