(...) Decidiu fazer as coisas à sua maneira. Reuniria um grupo de pessoas – não era preciso serem actores profissionais – e explicar-lhes-ia o que pretendia. Deixá-las-ia decidir o que iam fazer e dizer. Usaria apenas a luz disponível, o que implicava, supunha ele, que a maior parte do filme fosse rodada no exterior. Filmaria tudo num único dia, dois talvez. Se possível, não alteraria o que tinha filmado. Pensou nos lugares que as pessoas frequentavam ou em que era possível ver pessoas: as ruas, os parques, as praias. Ia usar esses lugares. O maior problema, imaginava ele, seria o estado do tempo. Lembrou-se dos contos que tinha escrito anos antes, histórias sobre jovens em momentos de dilema e iluminação. Percebeu que estas histórias seriam o modelo para o seu projecto. Como tinham parecido vir da vida, achou que de certeza conseguiria recriá-las como experiências verdadeiras. Não admirava que a editora os tivesse rejeitado. Precisavam de ser reavivados por todo o terno desconhecime...
Bicho ruim
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral