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De acordo com o ladrar dos cães

Que espécie de linguagem é a linguagem de Strauch? O que hei-de fazer com as suas lascas de pensamento? O que a princípio me parecia desarticulado, desconexo, possui os seus «nexos realmente espantosos»; no seu todo, é uma aterradora transfusão de palavras para o mundo, para as pessoas, «um processo impiedoso movido contra a estupidez», para o dizer com as suas palavras, «uma ininterrupta cadência de fundo que merece regenerar-se». Como anotar? Que tipo de notas? Até que ponto algo de esquemático, de maneira sistemática? Estas irrupções abatem-se sobre mim como derrocadas de pedras. De repente, o que ele está a dizer começa outra vez a partir-se face ao grito explosivo do ridículo que engendra para si próprio «e para o mundo». A linguagem de Strauch é uma linguagem do músculo do coração, que «palpita contra as pulsações do cérebro», malévola. É uma auto-humilhação rítmica cativa da «viga crepitante do seu próprio ouvido interno». As suas ideias, os seus ardis, estão basicamente de ac...

Selfie XXII

Sinto sempre uma grande alegria quando um cão me reconhece apesar de nunca nos termos encontrado antes. Cada um desenvolve a vaidade que lhe convém.

Aprender com os cães

O outro lado da esperança começa como filme mudo e vai-se revelando musical. Parece uma flor a desabrochar. Talvez por causa desse movimento suave, o pessimismo de Kaurismäki está mais fininho — para além dos sacanas habituais, há mais boas pessoas e onde menos se espera. Ninguém filma os cães vira-latas como Kaurismäki, são verdadeiros modelos , no sentido bressoniano, mas também como ensina o dicionário: coisa ou pessoa que é ou merece ser imitada; exemplo . Acrescentava ainda: como conceito .

Aki Kaurismäki e os cães

1. Chateado porque não aparece no diagrama do cinema transcendental de Paul Schrader (em contrapartida Andy Warhol está no eixo horizontal à direita e à esquerda).  2. Prepara-se para abandonar o livro e ler aquela revista (?) sobre a Bica Portuguesa.  Os cães, vê-se pelo olhar, são verdadeiros modelos bressonianos. Ela chama-se Alma (diz na plaquinha).
Gosto do auto-retrato da Aurélia de Sousa reproduzido nos cartazes afixados nos autocarros. Apesar do enquadramento cortado e dos problemas de impressão, consigo perceber que foram as mãos daquele rosto que pintavam Jezebel devorada pelos cães .

Quatorze de novembro

Fui agora à rua fumar e passear o cão e estavam outras dezanove pessoas a fumar e passear o cão no mesmo metro quadrado. Tivemos de matar os cães para poupar espaço e exalar o fumo directamente nas bocas uns dos outros.  Rogério Casanova 

Influenciadores do século XX

Observações avulsas sobre a boavista #12

O caminho de terra batida junto ao muro do edifício Burgo (às vezes pára lá ao fundo uma carrinha para vender qualquer coisa, talvez fruta e legumes). O bairro Bessa Leite com roupa a secar à janela. E o baldio onde agora cresce milho e se estende até ao acesso à VCI. Todo esse espaço corresponde ao território dos cães e coscorões de Tati. Fotografia da google maps, abril de 2018.