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Surpresas em caixinhas forradas

O número 14 do jornal Coreia traz um texto formidável de Carlo Canún sobre o Cine Savoy. Uma sala de cinema na Cidade do México que exibe filmes porno gay e que é, ao mesmo tempo, lugar de encontro para relacionamentos sexuais entre homens. Canún compara a configuração do Cine Savoy com a página de um livro: «As poltronas funcionam como o corpo do texto, disposto em duas colunas. As pessoas a foder, à maneira de uma orgia, no espaço por baixo do ecrã e em frente às poltronas, funcionam como notas de rodapé. Podem ser ignoradas, mas quando não o são trazem informação relevante. Por fim, as margens. Esses espaços a que normalmente não se dá importância, mas onde acontece o que é mais interessante.» Savoy é também o nome do hotel do grande romance de Joseph Roth. Gosto de imaginar que não é um acaso. O livro de Roth começa assim: «O Hotel Savoy promete aos seus hóspedes água, sabão, casa de banho inglesa, elevador, criada de quarto com touca branca e ainda surpresas em caixinhas forrada...

Nota prévia

Nas páginas que se seguem conto a história do meu amigo, camarada e companheiro de ideias, Franz Tunda. Recorri em parte aos seus apontamentos e em parte às suas descrições. Nada inventei, nada é composição minha. Por isso, não pretendi fazer «poesia». Observei e isso é o mais importante. Paris, Março de 1927. Joseph Roth, Fuga sem fim . Tradução de José Sousa Monteiro.

Avisos

Mais um longo e cinzento dia de Janeiro. A chuva parece mais ameaçadora do que nunca. Não é só a chuva e os contínuos avisos meteorológicos. Há mais qualquer coisa. Se acreditasse em Deus, talvez pensasse que era chegado o momento em que as forças sobrenaturais irrompem nítida e cruelmente pela realidade dentro. Como se existisse uma ligação misteriosa entre o estado do tempo e as notícias terríveis dos últimos dias. Lembra a atmosfera que Joseph Roth recria na Marcha de Radetzky . As sombras que antecedem a Primeira Guerra.

Alquimia

Há muito que o dono da casa, que o álcool não cansava, lutava no seu pequeno pavilhão de caça. Andava por ali com estranhos tubinhos de vidro, pequenas chamas, aparelhos. Corria o boato na região de que o conde queria fabricar ouro. De facto, parecia que ele se ocupava com pesquisas de alquimia disparatada. Se não conseguia fabricar ouro, sabia no entanto ganhá-lo no jogo da roleta. Deixava entender muitas vezes que tinha herdado um "sistema" seguro de um jogador misterioso que havia falecido há muito tempo. Joseph Roth, A marcha de Radetzky . Tradução de Maria Adélia Silva Melo.

Ideia para uma tese

Identificar todos os pontos de contacto entre os dez intermináveis minutos da curta-metragem Hotel Magnezit , de Béla Tarr , e o romance breve (talvez exista um outro nome para isto) de Joseph Roth, Hotel Savoy . Também vieram ter comigo pessoas dos últimos andares, e a procissão nunca mais acabava. Percebi que nenhuma dessas pessoas estava voluntariamente no Hotel Savoy. Todos estavam amarrados por uma infelicidade, e para todos o Hotel Savoy constituía a infelicidade, e ninguém sabia distinguir bem entre o hotel e a infelicidade. Todos os azares aconteciam neste hotel e acreditavam piamente que a infelicidade se chamava Savoy. Joseph Roth, Hotel Savoy .