Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta direito à habitação

O egoísmo das pessoas que, por capricho, insistem em existir

Após a carga policial desta madrugada sobre os elementos do Movimento pela Habitação, na Praça D. João I, que terá provocado mais de 30 feridos, alguns deles com gravidade, o primeiro-ministro, segundo os jornais, «pediu aos manifestantes que “não sejam egoístas” quanto à tranquilidade e à ordem pública» . O egoísmo das pessoas que acampam na rua porque não têm como comprar ou arrendar casa é um comportamento novo, que eu desconhecia. Quer dizer, pessoas que, por simples capricho, insistem em existir e que, por isso, revelam um enorme egoísmo. O comportamento aceitável, imagino, seria simplesmente desaparecerem.
Um ciclo de filmes sobre a traição ao direito à habitação. (Entrada grátis.) Hoje, na sessão das 18:00, há um filme de Huillet e Straub em diálogo com Elio Vittorini, D. W. Griffith e Pedro Costa.

Fumo

Leio no jornal um texto sobre movimentos sociais no Porto que reivindicam o direito à habitação. A socióloga Inês Barbosa, que estuda o assunto, diz que são, quase sempre, fenómenos pontuais e efémeros. Na verdade, não devem ser considerados sequer «movimentos sociais» porque «não são consistentes e têm tendência a esfumarem-se com rapidez.» Tal como aparecem, por vezes até com algum impacto público, desaparecem no momento seguinte. É como se tudo à nossa volta seguisse hoje uma espécie de padrão facebookiano . Um protesto pelo direito à habitação tem o mesmo valor de uma publicação nas redes sociais: de manhã aparece no mural e gera «reacções», à tarde não.