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Praça e Batalha

Tarde de sábado, 21 de Março. No Salão Nobre do Teatro São João, conversa-se sobre a obra de Manuel António Pina , o autor que passou a vida inteira, obsessivamente, às voltas com a palavra «casa», o lugar mítico a que todos regressamos ou desejamos regressar: «Teremos então, enfim, uma casa onde morar/ e uma cama onde dormir/ e um sono onde coincidiremos/ com a nossa vida.» Fora do teatro, na Praça da Batalha, à mesma hora, o movimento «Casas para Viver» promove mais uma manifestação contra a especulação imobiliária e pelo direito à habitação: «Mães sozinhas com crianças são despejadas, famílias vivem amontoadas, outras regressam a barracas sem água nem luz, e há quem volte do trabalho para dormir numa tenda.» Conversa e manifestação, na mesma praça e ao mesmo tempo, são uma espécie de «acaso objectivo». O país que Manuel António Pina descreveu nos seus textos é uma velha tartaruga: não pula e pouco avança.

Aquela palavra

Nas crónicas de Manuel António Pina, é impossível não reparar no elevado número de vezes em que ocorre a palavra «coração». Um exemplo entre muitos: «Às vezes as nossas palavras dizem mais que nós; porque é nelas, e não na razão calculista, que pulsa o coração, o coração revelador como diria Poe.» Ora, qualquer escritor, escrevinhador ou aprendiz de feiticeiro sabe que aquela palavrinha deve ser usada com moderação. Salvo em textos realmente invulgares. Como os do Pina. A palavra repete-se, página após página, e é como se a lêssemos sempre pela primeira vez.

Zazie

Fiquei admirada por não terem convidado a minha gata para nenhuma palestra da Feira do Livro. Ela é, como se costuma dizer, especialista na poesia de Manuel António Pina e tem ideias muito interessantes sobre a relação entre versos e garras, deuses e bárbaros. E por aí fora.