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Para traduzir as cartas de Sandor Krasna  – caramba, este nome é uma bela criação de Chris Marker! –, ousei recorrer por duas vezes à delicadeza de Camilo Pessanha. A tradução também tem momentos de grande vaidade.

Wenn dan der Erde Grün von neuem Euch erglänzt

É magnífico como Hölderlin transforma o alemão numa língua musical e leve (Straub talvez dissesse «arejada»). Agora os poetas não ligam muito a essa qualidade, mas ainda é uma das grandezas da poesia.  Pessanha faz isso com o português. E em Para Comigo ( reunião da sua poesia tal como a pretende preservar ), Joaquim Manuel Magalhães tem poemas que são verdadeiras ruínas de ruínas (é só pó e pedras), mas outros surgem quase como cantilenas e são belos e têm essa alegria sem afectação que só se encontra na natureza.
No programa sobre a Graciosa, alguém disse: “Engraçou-se com os burros”.  Só nos Açores, e sobretudo na Graciosa, é que se pratica ainda este português amável.  Parece que lá na ilha, todos lêem Pessanha ao pequeno almoço.