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O torno do céu

Há várias versões portuguesas de The lathe of heaven : O flagelo dos céus (Europa-América, 1983); O tormento dos céus (Presença, 2004); Do outro lado do sonho (Edições 70, 1991 e Relógio d’Água, 2024); A curva do sonho (Editora Morro Branco, 2019).  Ursula K. Le Guin foi buscar a palavra lathe a uma passagem de Chuang Tzu* que, veio a saber depois, era incorrecta, pois não havia tornos na China no século IV a.C. Construída sobre um (belo) erro de tradução, a imagem do título é não só extremamente poderosa e assustadora, mas também justa ao romance – parece um instrumento de tortura do passado e do futuro feito de propósito para o atormentado George Orr. Não consigo perceber o que levou os tradutores a afastarem-se do torno e até do céu. * Those whom heaven helps we call the sons of heaven. They do not learn this by learning. They do not work it by working. They do not reason it by using reason. To let understanding stop at what cannot be understood is a high attainment. Those wh...

Que se lixe o céu

Foi logo no início do filme. Enquanto Cary se veste para ir a uma festa, a filha anda pelo quarto a serigaitar e a dizer uns disparates freudianos aprendidos à pressa; às tantas pega num livro que está pousado na mesinha de cabeceira e pergunta-lhe: estás a ler isto? Nem espera pela resposta, ao ver a mãe, belíssima num vestido vermelho decotado, larga o livro e volta a palrar, agora sobre as mulheres egípcias enterradas vivas (depois havemos de saber que a miúda é tremendamente conservadora e as suas ideias — mais os óculos e o lencinho — não passam de teorias pré-casamento).  É um pormenor que passa despercebido, em princípio não é importante. Pois, mas esse livro cujo título fica fora de campo criou um sobressalto na minha cabeça — igualzinho à ervilha debaixo do colchão. No regresso a casa ainda vinha a pensar no mistério. Queria que o livro fosse para Cary o que Walden era para Ron. A cada hipótese que lançava, criava uma mulher diferente, menos medrosa, mais descarada, etc...

Civilização

«Comecei a olhar para o chão em vez de olhar para o céu. Comecei a olhar para o que as pessoas deitam fora em vez de para aquilo que os arquitectos constroem.»