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Foi ontem

Sinto-me liberto de um grande fardo. Que sorte inesperada! Que vão para o diabo as insígnias de engenheiro, os instrumentos e os orçamentos de obras!
Não é vergonhoso regozijar-se um homem com a morte duma pobre tia, pelo único motivo de ela lhe ter deixado uma herança que lhe permitirá aposentar-se? É certo que, ao morrer, me suplicou que me consagrasse à minha ocupação preferida e que, entre outras coisas, me alegra cumprir o seu voto supremo. Foi ontem... Que cara fez o meu chefe quando lhe anunciei a intenção de me demitir! E ao conhecer o motivo, ficou de boca aberta.
- Por amor à arte?... Hum!... Faça o requerimento.

Vsevolod Garchine, A flor vermelha. Tradução de Marília Guerra de Vasconcelos.

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