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São gente prática

— Não, não são propriamente niilistas — adiantou Lébedev, que também quase tremia de emoção —, são outros, muito especiais, o meu sobrinho diz que eles vão mais longe do que os niilistas. Não pense que os embaraça com a sua presença, excelência; eles não se deixam atrapalhar. Os niilistas, em qualquer caso, às vezes são gente culta, com muitos conhecimentos, mas estes foram mas longe porque, em primeiro lugar, são gente prática. No fundo, são uma consequência do niilismo, mas não directa, antes “por vias travessas”, e não se limitam a manifestar-se nuns desgraçados artiguelhos de revista, mas agem, directamente, na prática; não se trata da inutilidade, por exemplo, de um qualquer Púchkin nem, por exemplo, da necessidade de desintegração da Rússia; não, agora, literalmente, considera-se que existe o direito, caso nos apeteça muito qualquer coisa, de não parar diante de nada para a conseguir, nem que para isso seja preciso despachar oito pessoas. Eu não lhe aconselharia, príncipe...

O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, editorial Presença, páginas 267 e 268.

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