Há algo paradoxal nas relações entre um romancista e os seus amantes. Enquanto escritor, sabe que a sua história tem de acabar e quer que ela acabe. Também nós, enquanto leitores, sabemos que o romance tem de acabar e queremos que acabe. «Mas ainda não!», dizem os leitores ao escritor. «Mas ainda não!», diz o escritor ao seu herói e à sua heroína. «Mas ainda não!», diz quem é amado a quem ama. E assim o alcance do desejo continua.
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral
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