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O neo-imperador da Europa

Um texto de Eduardo Sterzi:

«A confirmar-se a cessão perpétua de partes do território da Groenlândia aos Estados Unidos, pode-se dizer que a Europa escreveu uma página até agora inédita da história do neocolonialismo. O mais espantoso no episódio é constatar que alguns "líderes" europeus parecem mesmo acreditar que, dobrando-se à violência norte-americana, conseguirão deter a sanha do psicopata Trump. Uma diversão extrema, nesse mundo que vai definitivamente pras cucuias (é por isso, aliás, que os EUA mais precisam da Groenlândia, para além dos "recursos" naturais da ilha: para garantir o domínio sobre os caminhos marítimos abertos pelo derretimento do gelo do Ártico graças à catástrofe climática em curso, alimentada sobretudo pelo mesmo país terrorista), será adivinhar qual o próximo território exigido pelo neoimperador da Europa.

P. S. E há também outro aspecto importante desse episódio bizarro do neocolonialismo que dificilmente será ressaltado pela ex-grande imprensa: ao entregar porções da Groenlândia aos Estados Unidos, a Europa garante que os povos indígenas da Groenlândia jamais conquistem verdadeira independência com relação ao "Ocidente". O que está sempre em questão também é a persistência da dominação dos não-brancos pelos brancos (num movimento que, de modo não menos absurdo, está acontecendo no interior dos próprios Estados Unidos, com a prisão e confinamento em campos de concentração de indígenas norte-americanos, "confundidos", não sem razão, com imigrantes latino-americanos).»

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