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Aquela palavra

Nas crónicas de Manuel António Pina, é impossível não reparar no elevado número de vezes em que ocorre a palavra «coração». Um exemplo entre muitos: «Às vezes as nossas palavras dizem mais que nós; porque é nelas, e não na razão calculista, que pulsa o coração, o coração revelador como diria Poe.» Ora, qualquer escritor, escrevinhador ou aprendiz de feiticeiro sabe que aquela palavrinha deve ser usada com moderação. Salvo em textos realmente invulgares. Como os do Pina. A palavra repete-se, página após página, e é como se a lêssemos sempre pela primeira vez.

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