«Já reparou nos grandes nacos de pão que andam a boiar na sua sopa? Não é por acaso que isso me traz à memória a ideia de um fim do mundo. Uma grande visão assente numa observação muito pequena.»
Nesta frase, Bernhard usa a mesma fórmula imagética da cena do café de 2 ou 3 choses que je sais d'elle. Mas como somos obrigados a recriar o quadro dentro da cabeça (como aprendizes de Béla Tarr?), a ligação dos nacos de pão a boiar na sopa ao fim do mundo é maior, assemelha-se a uma maldição que não nos vai largar mais.
Comentários
Lembrei-me do Alentejo, onde o pão na sopa sempre foi uma benção e um sinal de sobrevivência.
Coisas de quem muitas vezes não sabia ler e não podia ler livros...