O Angelus, de Jean-François Millet: um camponês e sua mulher, de mãos postas, cabeças baixas, rezam em um campo de trigo, diante de um cesto de batatas.
Quando se passou o quadro de Millet pelo raio X, descobriu-se, sob o cesto de batatas, a mágoa do pintor: havia ali o ataúde de uma criancinha. Millet conta em suas memórias que, quando quis expor o seu quadro com a criança morta, um amigo aconselhou-o a mudar o motivo, por ser muito triste e difícil de vender. Mais que depressa Millet recobriu o pequeno ataúde com um cesto de batatas. E Dali, quando lhe contaram a história disse logo: "Eu sempre pressenti a morte de uma criança nesse quadro."
Anne Ancelin Schutzenberger, Meus Antepassados. Tradução José Maria da Costa Vilar.
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