A cliente, na frutaria, escolhe uma couve coração. Segura-a com uma mão e com a outra arranca, em dois ou três golpes rápidos, algumas folhas meio secas. A empregada: «A senhora não pode arrancar as folhas. Não leu o aviso?» Há um aviso colado à parede: «É proibido arrancar folhas.» O marido da cliente, um pouco acanhado e a meia voz: «És sempre a mesma coisa. Já sabes que não podes fazer isso.» A cliente: «Estas folhas estão secas. Não vou levar para casa um coração seco.»
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral