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Dos jornais LVXI

Mulher em posição fetal, acompanhada por um vaso cerâmico que guarda um punhal de rebites em liga de cobre, num dos hipogeus de Torre Velha 12. CORTESIA: LÍDIA BAPTISTA/ARQUEOLOGIA PATRIMÓNIO   Punhal de rebites recuperado pela equipa de Lídia Baptista e fotografado já depois da intervenção de limpeza e conservação preventiva. CORTESIA: LÍDIA BAPTISTA/ARQUEOLOGIA PATRIMÓNIO.
O Fogo do Vento é um magnífico exercício de liberdade. Em vez de seguir uma história sequencial, o filme de Marta Mateus avança segundo regras mais antigas, que sacodem o tempo como o vento. Durante a projecção, os quadros desdobram-se em mil caminhos diferentes: somos convocados a participar nessa montagem afectiva. Ninguém vê o mesmo, mas todos reencontramos algo de fundamental e eterno.  O que mais me impressiona é a forma como as pessoas se deitam nas árvores. É certo que sobem para lá para escapar ao touro (magnífico signo de todas as coisas que oprimem, até do próprio cinema), mas depois aconchegam-se aos troncos e ramos, e o medo transforma-se em conquista. Cantam, dormitam, contam histórias passadas e pensam. (O rosto de alguém a pensar é das imagens mais belas que há, e o cinema tem o dever de o guardar.) Naquelas árvores alentejanas, nasce uma comunidade aérea ancorada em memórias longínquas e futuras – um território novo cheio de visões. Só o touro está sozinho e derro...
Tudo arde, é o fogo do vento que anuncia a canícula.