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Let’s go home, Debbie

Por exemplo, o belo (e famoso) gesto de Ethan Edwards no fim de The Searchers, quando se aproxima da sobrinha com intenção de a matar por ela se ter transformado numa squaw – levanta-a brutalmente no ar para a atirar contra as pedras e reprime-se de imediato, apertando-a nos braços (Let’s go home, Debbie) –, não é belo só por si mesmo, por ser capaz de dar corpo, num breve instante, a um acesso espontâneo de ternura, mas também, e principalmente, porque esse gesto é a repetição exacta do que Ethan fez no início do filme quando, ao regressar ao rancho do irmão passados vários anos em que andou a combater, ergueu a sobrinha no ar numa atitude de carinho que nos é familiar a todos, um estereótipo reconhecível. 

Se estou empenhado em destacar os gestos por si mesmos, então posso considerar que destas duas acções gémeas, a melhor é a segunda. É a que resolve o filme, a que condensa por inteiro The Searchers. Mas, se essa acção estivesse sozinha, não teria a mesma riqueza (não me ocorre outra palavra). Poderíamos entender na mesma o que se passa com Ethan: ao agarrar a sobrinha, o carinho que sentia por ela é restabelecido. Mas a presença do primeiro gesto dá-nos mais informação sobre o segundo. Ao pegar na sobrinha, sem querer, sem se dar conta, Ethan repetiu o gesto inicial – o acto de violência tem a mesma forma que o de afecto – e, então, ressuscitou aquela emoção que venceu o ódio racial actual. De fora para dentro, de um gesto a uma emoção. Como acontece aos actores que têm de sentir a partir das acções marcadas pelo guião ou pelo realizador. Graças ao primeiro gesto, sabemos exactamente qual foi o processo que se produziu em Ethan na sua repetição. 

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