Se estou empenhado em destacar os gestos por si mesmos, então posso considerar que destas duas acções gémeas, a melhor é a segunda. É a que resolve o filme, a que condensa por inteiro The Searchers. Mas, se essa acção estivesse sozinha, não teria a mesma riqueza (não me ocorre outra palavra). Poderíamos entender na mesma o que se passa com Ethan: ao agarrar a sobrinha, o carinho que sentia por ela é restabelecido. Mas a presença do primeiro gesto dá-nos mais informação sobre o segundo. Ao pegar na sobrinha, sem querer, sem se dar conta, Ethan repetiu o gesto inicial – o acto de violência tem a mesma forma que o de afecto – e, então, ressuscitou aquela emoção que venceu o ódio racial actual. De
fora para dentro, de um gesto a uma emoção. Como acontece aos actores que têm de sentir a partir das acções marcadas pelo guião ou pelo realizador. Graças ao primeiro gesto, sabemos exactamente qual foi o processo que se produziu em Ethan na sua repetição.
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral
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