Por exemplo, o belo (e famoso) gesto de Ethan Edwards no fim de The Searchers , quando se aproxima da sobrinha com intenção de a matar por ela se ter transformado numa squaw – levanta-a brutalmente no ar para a atirar contra as pedras e reprime-se de imediato, apertando-a nos braços ( Let’s go home, Debbie ) –, não é belo só por si mesmo, por ser capaz de dar corpo, num breve instante, a um acesso espontâneo de ternura, mas também, e principalmente, porque esse gesto é a repetição exacta do que Ethan fez no início do filme quando, ao regressar ao rancho do irmão passados vários anos em que andou a combater, ergueu a sobrinha no ar numa atitude de carinho que nos é familiar a todos, um estereótipo reconhecível. Se estou empenhado em destacar os gestos por si mesmos, então posso considerar que destas duas acções gémeas, a melhor é a segunda. É a que resolve o filme, a que condensa por inteiro The Searchers . Mas, se essa acção estivesse sozinha, não teria a mesma riqueza (não me o...
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral