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Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2026

Um eco

Um homem passa na rua a assobiar uma melodia qualquer. É um daqueles assobios que dantes se ouviam entre os trabalhadores da construção e também das oficinas. Forte e doce, como um instrumento afinado, ecoando pela rua toda. Há anos que não ouvia nada de semelhante. Uma incursão do passado, pasoliniana, nesta época arrasada, nivelada, terraplenada por todas as «inteligências artificiais».

El duende

En toda Andalucía, roca de Jaén y caracola de Cádiz, la gente habla constantemente del duende y lo descubre en cuanto sale con instinto eficaz. El maravilloso cantaor El Lebrijano, creador de la Debla, decía: "Los días que yo canto con duende no hay quien pueda conmigo"; la vieja bailarina gitana La Malena exclamó un día oyendo tocar a Brailowsky un fragmento de Bach: "¡Ole! ¡Eso tiene duende!", y estuvo aburrida con Gluck y con Brahms y con Darius Milhaud. Y Manuel Torres, el hombre de mayor cultura en la sangre que he conocido, dijo, escuchando al propio Falla su Nocturno del Generalife, esta espléndida frase: "Todo lo que tiene sonidos negros tiene duende." Y no hay verdad más grande.  Estos sonidos negros son el misterio, las raíces que se clavan en el limo que todos conocemos, que todos ignoramos, pero de donde nos llega lo que es sustancial en el arte. Sonidos negros dijo el hombre popular de España y coincidió con Goethe, que hace la definición del ...

Cinefilia menor

À Odisseia, contraponho L'Aventura . 

Entre o paraíso e o inferno

Hoje de manhã, a temperatura da água do mar em Pedras do Corgo era de 19°C. É este permanente viver entre o paraíso e o inferno (oh, basta dar-lhe um nome para termos um conceito) que nos corta a acção. Só vamos acordar com o inferno total e aí será tarde demais — mas não para nós.

Ler Cioran é como fazer um peeling

O texto Viva Cioran! pode entrar para a lista de anedotas que alegravam a vida do filósofo romeno. Ainda assim, fica longe do episódio televisivo — «Nunca le vi tan divertido como al contarle que en el concurso de televisión de mayor audiencia en aquella época ( Un, dos, tres ), uno de los participantes citó su nombre tras el de Aristóteles cuando le preguntaron por filósofos célebres.» (Fernando Savater, El asombro de Cioran) — ou das vendas inesperadas do Caderno de Talamanca num cabeleireiro em Ermesinde.

Teria sido um filme

Leitura integral do guião seguido das indicações técnicas do filme Le Camion, de Marguerite Duras, na tradução de Cristina Fernandes (BCF Editores, 2025), pela voz da actriz Isadora Alves e com a escuta e primeira leitura do linguista Júlio Alves, sem contacto prévio com o texto.    Hoje, às 18:00, no Mira Forum.

A guerra é aqui?

O escritório onde estamos instalados temporariamente (o mosteiro está em obras) pertence a uma junta de freguesia do centro da cidade. Durante anos funcionou aqui um serviço de recrutamento militar. Ainda hoje, e muito tempo depois de encerrada a repartição, acontece com frequência jovens baterem à porta e dispararem à queima-roupa: «Bom-dia, é aqui que me posso alistar?» Parece uma rábula sobre a rábula de Raul Solnado: «Minha senhora, faz favor, aqui é que é a guerra?»

Dos jornais LXVI

Dias depois de a Segurança do Estado ter alertado para a “lavagem ao cérebro” promovida por “forças anti-China”, um veterano antropólogo de Cambridge, Alan Macfarlane, com 2,3 milhões de seguidores na rede social Xiaohongshu, elogiou a atitude de “ficar deitado”, associando-a ao bambu. “Quando surge uma forte rajada de vento… o bambu inclina-se, absorve o impacto, fica quase deitado no chão e, depois, quando a rajada passa, volta a endireitar-se.” A mensagem “recebeu mais de 100 000 likes e circulou largamente em múltiplas plataformas”, assinalou o South China Morning Post . “O Estado diz que fomos infiltrados por forças estrangeiras; o professor diz que somos bambu. Finalmente, alguém reconhece que neste momento o ‘vento’ é simplesmente demasiado forte”, comentou um internauta chinês. “Ficar deitado não significa render-se”, afirmou outro. “Estamos apenas momentaneamente abatidos – mais cedo ou mais tarde, vamos recuperar.”
O calor extremo transmite uma sensação de mistério: é como se estivéssemos perto do deserto. Emil Cioran, Cadernos 1957-1972