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Macedonio também escreve sobre a Inteligência Artificial

Exercícios de cordialidade.
Era uma vez uma inabalável lua de mel que não durou para sempre, entre um autor que escrevia mal e leitores que não sabiam disso.
Tinha alguma importância que ele escrevesse mal se isso nunca se viesse a saber?
Pois bem, um dia atiraram uma pedra contra essa placidez de candor. Aquela porção de público inocente abandonou-o; procurou outro autor. Mas onde encontrar hoje alguém que escreva mal, se escrever bem é a primeira coisa que o principiante faz e aprende-o em três ou quatro meses?
É uma pena que se prive o autor de um público que não sabe que ele escreve mal.
“Escrever bem” corresponde hoje ao que antes era a “caligrafia bonita”. É tão vulgar que fugimos disso a sete pés, e se não lhe escapamos é porque o sono nos entorpeceu.
O leitor comum que, nos nossos dias, encontre alguém que escreva mal, não o larga mais, porque não encontrará outro; em contrapartida, são incontáveis em toda a América os que escrevem bem. Mesmo em França, creio, já se está num novo “escrever bem”, diferente do que se usava antes. Porquê esta mudança?

Macedonio Fernández, Todo y Nada.

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