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Um eco

Um homem passa na rua a assobiar uma melodia qualquer. É um daqueles assobios que dantes se ouviam entre os trabalhadores da construção e também das oficinas. Forte e doce, como um instrumento afinado, ecoando pela rua toda. Há anos que não ouvia nada de semelhante. Uma incursão do passado, pasoliniana, nesta época arrasada, nivelada, terraplenada por todas as «inteligências artificiais».

Comentários

Anónimo disse…
Accattone quer mais luz. Suplica ao coveiro que lhe arranje sepultura ao sol, só um pouco mais ao lado. O funcionário, ao princípio relutante, acede. Por que não haveria o desgraçado lumpen de adivinhar a morte, apreciar a ironia?
[FC]