Um homem passa na rua a assobiar uma melodia qualquer. É um daqueles assobios que dantes se ouviam entre os trabalhadores da construção e também das oficinas. Forte e doce, como um instrumento afinado, ecoando pela rua toda. Há anos que não ouvia nada de semelhante. Uma incursão do passado, pasoliniana, nesta época arrasada, nivelada, terraplenada por todas as «inteligências artificiais».
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral
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