Um pormenor formidável de Audition , de Miloš Forman. Na primeira parte do filme, o maestro de uma das bandas filarmónicas, nos ensaios, dirige-se aos músicos sempre com os olhos fechados. Não é um acaso: Forman mostra-o várias vezes . O maestro só abre os olhos quando a banda começa a tocar e a música irrompe. Parece um tique nervoso, que favorece o cómico. Mas será apenas isso? Dá a ideia de que, para ele, «explicar» ou «comentar» a música através de palavras é um acto de violência. O maestro fecha os olhos e faz caretas porque as palavras magoam-no, doem-lhe.
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral