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A mostrar mensagens com a etiqueta João Penalva

Quando se está num lugar que não é lugar nenhum...

Não tive tempo para ler o título nem o nome do realizador, quando entrei na sala o ecrã estava negro, ouviam-se apenas sons de estrada — era o primeiro plano de um filme anónimo. Depois, pouco a pouco, a paisagem e as vozes dos dois velhos japoneses — o segundo plano que se estende até ao fim, sem corpos de actores, sem qualquer movimento da câmara; pelo contrário, é o nevoeiro que avança e recua fazendo-nos ver coisas e sombras onde existem árvores, pedras e sombras. O lugar é belo e desolado. O primeiro homem assusta-se com o segundo homem, toma-o por um fantasma, como numa história de Junichirô Tanizaki. Mas têm a boa vontade de quem passa muito tempo sozinho e começam a conversar. Falam com uma tristeza mais ou menos alegre do passado, das histórias que os amedrontavam quando eram crianças. Histórias de raposas que se transformam, como para nós os lobos (o eterno medo da metamorfose, de não estarmos nunca seguros de quem é o outro — e também nós somos sempre o outro de alguém)...