Lá volta o tempo das moscas enlouquecidas pelo desespero. Tentam picar, nervosas e imprudentes, tudo o que mexe, antes que venham definitivamente as chuvas. Mas este ano também se esbarra em abelhas. Nunca vi tantas na cidade. Parecem perdidas, lentas, sem esperança. Entram pelas janelas, batem duas ou três vezes nas paredes e desaparecem nos corredores. Vamos dar com elas, dias depois, a um canto, mortas.
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral