Durante muito tempo, os matemáticos evitaram cautelosamente a palavra «caos». É com o artigo de Li e Yorke que pela primeira vez a palavra entra oficialmente no vocabulário dos sistemas dinâmicos. Porquê esta escolha? Provavelmente, porque as trajectórias destes sistemas parecem desordenadas. Quando observamos a sua evolução, nada parece regular: os movimentos não são nem periódicos nem convergentes, e as previsões rapidamente se tornam impossíveis. O êxito da palavra, aliás, não foi de todo consensual. Muitos matemáticos consideravam-na mal escolhida. Evocava a desordem, o arbitrário, ou mesmo a ausência de leis, quando os seus trabalhos revelavam precisamente novas formas de organização. Mas o termo era curto, sugestivo e apelava à imaginação. Como é hábito na história das ciências, não foi a designação mais rigorosa que se impôs, mas aquela que melhor cativava o público. O seu êxito foi imediato, à custa de um mal-entendido que perdura até hoje. Há que reconhecer que «caos» é uma pa...
de Cristina Fernandes e Rui Manuel Amaral