Durante muito tempo, os matemáticos evitaram cautelosamente a palavra «caos». É com o artigo de Li e Yorke que pela primeira vez a palavra entra oficialmente no vocabulário dos sistemas dinâmicos.
Porquê esta escolha?
Provavelmente, porque as trajectórias destes sistemas parecem desordenadas. Quando observamos a sua evolução, nada parece regular: os movimentos não são nem periódicos nem convergentes, e as previsões rapidamente se tornam impossíveis.
O êxito da palavra, aliás, não foi de todo consensual. Muitos matemáticos consideravam-na mal escolhida. Evocava a desordem, o arbitrário, ou mesmo a ausência de leis, quando os seus trabalhos revelavam precisamente novas formas de organização. Mas o termo era curto, sugestivo e apelava à imaginação. Como é hábito na história das ciências, não foi a designação mais rigorosa que se impôs, mas aquela que melhor cativava o público. O seu êxito foi imediato, à custa de um mal-entendido que perdura até hoje. Há que reconhecer que «caos» é uma palavra muito mais sedutora do que «dinâmica não periódica».
Contudo, o paradoxo permanece: os matemáticos escolhem precisamente uma palavra que sugere a ausência de ordem no exacto momento em que descobrem uma nova ordem.
Étienne Ghys, O caos: história de um mal-entendido. Tradução de João Moita.
Comentários